quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O cubo, a esfera e a pedra

Não quero ser cúbica, cheia de faces que têm lugar pra começar e terminar e, quando viramos, é outra a face que se mostra. Não quero ter lados, não quero me apresentar numa posição que esconde o resto de mim. Metade escondida pela outra metade. Gosto do tudo, gosto do inteiro; gosto da possibilidade de ser esfera, e não ter um lado definido. Bate um vento, posso mudar de lugar, de cor de opinião. Querer e não querer; saber e não acreditar; ir e mudar de caminho; afirmar e questionar, dizer que sim, pensando não, dizer que não perguntando “por que não?” Essa esfera, rolando, é o que justifica a minha inconstância , a minha possibilidade de existir de maneira múltipla, sem compromisso nenhum com o estável, e nunca encontrar um lugar que me abrigue definitivamente.
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Não consigo parar de pensar na persongem do filme que, agustiada, dizia ter uma pedra em seu estômago, ou em algum lugar dentro dela, já nao me lembro bem. Quando ela falou isso eu percebi a pedra dentro de mim tambem. Essa pedra tem aparecido pra mim desde então. Já foi motivaçao pra escrita, já foi a pedra que provoca tudo aquilo que é sentimento extra-interior, ou seja aflições em geral (porque a aflição é uma coisa que a gente sente do lado de fora do lado de dentro, ela nao vem do coração... ela vem da pedra) , e agora aparece de novo. Essa coisa de esfera rolando... me faz pensar na rolling stone, e de novo a pedra vem, dessa vez rolando, mas ainda do lado de dentro...
(ps: O filme é "nome próprio". pra ver a pedra: http://nomepropriofilme.blogspot.com/)

2 comentários:

Mariza Hirata disse...

essae post me fez o que pensar, é poético e muito íntimo, ao mesmo atempo que fala de uma angústia que muitas pessoas passam mas não sabem como se expressar. O cúbico realmente não se mostra inteiro, quero tb ser interia, esera.
Parabésn, favoritei-o.

Fim de verão disse...

muito bom mesmo.